domingo, 6 de maio de 2012

Marcados para Morrer - Questionamentos!

Partilhar Referente a postagem anterior, um amigo fez alguns questionamentos bem interessantes, e sobre os quais resolvi escrever...

"Até que ponto vale lutar por um ideal e tentar mudar um mundo que não muda? Ser privado do convívio social, não poder fazer coisas simples do cotidiano... em troca de quê?" 


Vou tecer comentários bem subjetivos, coisas bem minhas mesmo e cada um refletirá de uma forma, concordando em partes comigo ou não, mas quis trazer a luz minhas reflexões a vocês.

Bem... existe uma diversidade de pessoas, cada uma com seu sonho, seu ideal, sua cultura...
Não tem como explicar porque dois filhos, de mesmo pai e mãe, podem tão diferentes, tipo, um ser tão bom em matemática e ruim em redação... e o outro um escritor que mal sabe multiplicar... é da natureza!
Da mesma forma não tem como definir o valor de um ideal, só quem o determina sabe o quanto aquela conquista significa, pode atribuir uma valoração e definir até que ponto deseja lutar, e o que vale sacrificar.

Vou criar duas personagens exemplificativas: Estático e Dinâmico;

Estático escolheu ter uma vida normal, ser mais um entre "zilhões", construir uma família, ter uma carreira "normal", rotina simples e sem surpresas... Existem vários "estáticos" por aí.. e eu não os condeno por assim serem, normalmente esses se contentam com o mundo da forma que encontraram e não lutam pra deixar alguma marca sua, algo de significante...
Dinâmico já nasceu com uma inquietude, uma curiosidade, uma natureza contestadora, um desejo de mudar, de fazer algo diferente e que impacte de alguma forma na vida da sociedade. Existem também vários dinâmicos e apesar do desejo de ter uma família, filhos, sonhos.. Dentre esses sonhos está o de ser diferente, de fazer a diferença, de não se intimidar com as dificuldades, de não ser omisso, intrometendo adrenalina em sua rotina e profissão...
Na verdade sabemos que algumas pessoas são o misto disso. Cada uma tem uma medida de dinamismo e estabilidade... Outros estão num extremo ou outro.
Ambos tem sonhos e ideais como já disse e cada um deles escolhe um caminho, fundamenta seus alicerces de uma forma pra construir a sua vida... Uma coisa é certa para ambos e inerente a condição humana: A morte!
O mundo segue o seu curso natural... e outros nascem com suas peculiaridades...!

Não tenho intenção de banalizar a vida, reconheço que é o que temos de mais precioso, porém a morte é inevitável para estáticos e dinâmicos e apenas sou realista!
Pensem comigo, quantas pessoas vivem rotinas simples, carreiras "normais" e são vítimas de bala perdida e vêm a óbito, tantos outros desse mesmo tipo, são vítimas de um assalto que termina numa fatalidade... quantos são vítimas de acidentes e "pa-pum"... Já foi...!
A vida é assim extremamente frágil e imprevisível...
O Dinâmico, pelo excesso de adrenalina, pela sua inquietude e destemor para desafiar... Pode perder a paz, ser o alvo, e fica mais susceptível a morte, fato# Mas ela virá para ele, ou para um estático...
E será que uma pessoa que tem o desejo de enfrentar, de desafiar, de mudar o sistema... seria feliz estaticamente?

MUDAR UM MUNDO, QUE NÃO MUDA...
Será?

Tudo muda, o mundo, as pessoas, a cultura, a política, as prioridades...
Estudando história temos noção de quantas ocorreram dos primórdios, até aqui...
Não tínhamos fogo e alguém descobriu como fazê-lo, veio a roda, os metais...
O homem foi capaz de desafiar a natureza e transformar o mundo... Dentre as várias criações, as vezes me vejo de fora olhando pro mundo atual e imaginando como ele era... Olho o carro, o avião, os prédios...
Tomando como exemplo o avião... Quantos duvidaram de Santos Dumont? Como um homem foi tão inteligente ao ponto de criar algo tão pesado e fazer voar como um pássaro tão leve...?
Minhas comparações podem parecer absurdas, mas é para exemplificar que as mudanças ocorreram, não apenas fisicamente mas também político-socialmente falando...
Tivemos várias eras políticas: absolutistas, democráticas, com influências socialistas, autoritárias...
E o mundo, continua em transformação... Muitos tentaram mudar algo, introduzir uma ideia e não obtiveram êxito, mas tantos outros desafiaram a natureza, sacrificaram sua paz e/ou vida e deixaram um legado...?
Pensemos na influência de Sócrates, Marx, Galilei Galilei, Che, Zumbi.
Um dia fomos colônia de Portugal, militares lutaram e "libertaram" o Brasil dessas amarras instituindo a República... A República foi usada para favorecer uns aqui, outros acolá... Veio o autoritarismo...
Antes as mulheres não podiam votar, as crianças eram exploradas, os negros escravizados e mesmo depois de "libertos" não tinham acesso a educação...
E hoje...? Mesmo que a passos lentos algo não mudou?
E isso foi obra de quem...?
O ser humano pela racionalidade é o animal com maior capacidade de transformação do meio... Alguns indivíduos chegam a esse mundo e são apenas mais um, não tem sede de ser diferente... Outros tem um turbilhão de sonhos, tentam mas nem todos conseguem mudar... deixar algo significante, mas outros conseguem.

Não quero levantar uma bandeira política aqui... Mas quem diria que um dia um nordestino, analfabeto, metalúrgico chegaria a Presidência da República Federativa do Brasil... deve ter sido difícil, testemunhamos trapaças, ele foi submetido a prisões... e mesmo assim não desistiu do ideal que tinha... bom ou ruim será que o Brasil será o mesmo após Lula?

Será que o que ocorreu com a juíza Patrícia Acioli, não mostrou ao país que existem juristas de verdade, honestos, que não se calam diante da impunidade, com sede de trabalho, de conquista e de fazer justiça...? O trabalho dela trouxe a tona os problemas de quem de fato quer "trabalhar" na magistratura do país.
Ela poderia ter morrido de coração, de acidente de carro ou naturalmente na sua caminha confortável... Tendo sido apenas mais uma advogada de defesa. Mas ela quis ser diferente, quis fazer a diferença... Quis usar as ferramentas que ela tinha (inteligência, bagagem de conhecimentos) para alcançar um cargo maior e poder mudar alguma coisa...
Nossa história contemporânea está em construção e eu não sei realmente o que ficará para as futuras gerações de herança histórica, mas acredito que o nome dela na justiça do país ou pelo menos do Rio de Janeiro ficará... como exemplo.

Eu acredito que não há maior valor que a vida.
Mas nem sempre a paz se encontra no sossego extremo, na omissão e imobilidade.

A história do nosso país é marcada por corrupção, por desigualdades, misérias, injustiças...
Alguma coisa já mudou e foi obra de quem não desistiu, de quem acreditou... de quem quis mudar e acreditou na mudança. A corrupção é inerente ao homem e em decorrência da convivência nas sociedades, em algumas com maior amplitude, em outras com menos, mas a omissão e a passividade não é o melhor caminho para controlá-la.

Na profissão policial também existem muitos sacrifícios do convívio social...
Muitos entre ir numa pizzaria, preferem pedir delivery. Não se mantêm com a mesma tranquilidade nos locais públicos, mesmo que fora de serviçoO... Há uma mudança na vida, na convivência, na postura... No entanto, a função do PM é essencial e quem ingressa deve ter coragem de encarar esse exercício fundamental para manter a ordem e segurança da população.


Eu particularmente tenho muitos ideais que não se restringem a polícia, que seria apenas uma porta de entrada, um trampolim para alcançar coisas maiores... para conseguir estabilidade financeira para estudar e quem sabe conseguir ampliar o alcance da minha voz. Cada um define o porquê de um ideal e até onde vale a pena sacrifícios... cada um tem uma natureza, admiro os que não deixam de exercer algo por medo ou cautela excessiva, os que sabem que a morte é inerente ao homem e não se conformam em viver sem buscar alguma mudança, algum objetivo, algum ideal... por mais desafiador que seja.
Pensem nos seus ideais e busquem respostas...

Obrigada a Teko Gentil pela viagem que me incitou a fazer, através do seu questionamento.
Um abraço a todos (que tiveram paciência de ler... kkk)!

2 comentários: